CÂNON BÍBLICO
A FORMAÇÃO DA REGRA DE FÉ
O Processo de Reconhecimento
A formação do Cânon (do grego kanon, "regra") não foi um evento súbito, mas um reconhecimento progressivo da Igreja sobre quais escritos possuíam autoridade divina. No caso do Antigo Testamento, a Igreja herdou a tradição judaica já estabelecida e validada pelo próprio Jesus Cristo.
"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam."
— João 5:39Critérios de Canonicidade
Para o Novo Testamento, a Igreja Primitiva não "escolheu" livros por preferência, mas identificou neles marcas específicas de inspiração através de três pilares fundamentais:
- Apostolicidade: O texto deveria ter sido escrito por um apóstolo ou por alguém em contato direto e sob supervisão apostólica (como Marcos e Lucas).
- Ortodoxia: O conteúdo deveria estar em perfeita harmonia com os ensinos orais de Jesus e com a revelação do Antigo Testamento.
- Catolicidade (Universalidade): O livro precisava ser reconhecido e utilizado de forma contínua por todas as grandes comunidades cristãs da época.
Marcos da Autoridade
ANTIGO TESTAMENTO
Consolidado em três divisões: a Lei (Torah), os Profetas (Nevi'im) e os Escritos (Ketuvim), formando o alicerce para a vinda do Messias.
NOVO TESTAMENTO
Os 27 livros foram formalmente ratificados nos Concílios de Hipona (393 d.C.) e Cartago (397 d.C.), confirmando o que a Igreja já praticava.
PROVIDÊNCIA
A teologia entende que o Espírito Santo guiou a Igreja para preservar a mensagem pura da salvação contra as distorções heréticas.
SOTERIOLOGIA
O Cânon é a fonte única e final para entendermos a obra de Cristo; sem uma regra fixa, a doutrina da salvação seria refém do subjetivismo.